Iniciativa destina até US$ 50 milhões a programas de inspeção de carnes, beneficiando pequenos e médios agentes do setor.

A secretária de Agricultura dos Estados Unidos, Brooke L. Rollins, anunciou nesta terça-feira (16) o lançamento do Stand-Up Program, um projeto que destinará até US$ 50 milhões em recursos federais para apoiar estados na criação e expansão de programas de inspeção de carnes. A medida visa descentralizar o mercado de carne, estimular pequenas e médias frigoríficos e combater o aumento dos preços da carne.
A iniciativa é fruto da Ordem Executiva assinada pelo presidente Donald Trump em 4 de setembro. Segundo a secretaria, os altos custos de implementação impediam os estados de desenvolverem seus próprios sistemas de inspeção. Por meio do Stand-Up Program, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) cobrirá esses custos, possibilitando a certificação de pequenos frigoríficos e aumentando a capacidade de atendimento a pecuaristas locais.
✨ "Quando os processadores independentes prosperam, os pecuaristas ganham mais opções, os consumidores têm mais alternativas de escolha e as comunidades rurais se fortalecem", disse Rollins em uma rede social.
O governo Trump busca equilibrar a contenção da inflação da carne com a não insatisfação de sua base eleitoral no setor agrícola. No dia 21 de agosto, foi anunciada uma nova cota de importação sem tarifas para a aquisição de 300 mil toneladas de carne magra nos três meses seguintes, ação que beneficia o Brasil, conforme mencionado pelo próprio presidente. Entretanto, essa decisão gerou descontentamento entre entidades agropecuárias, especialmente devido a fatores como seca e altos custos de produção que levaram muitos pecuaristas a abandonarem a atividade. Atualmente, o rebanho bovino nos EUA está no menor patamar em 75 anos.
Apesar dessa redução, a produção de carne não retrocedeu, uma vez que a eficiência na pecuária aumentou significativamente. Contudo, a crescente demanda interna e a escassez de animais para abate elevaram os preços da carne nos últimos anos. Em resposta a esses desafios, Trump direcionou críticas à cadeia produtiva e aos principais frigoríficos, acusando os quatro maiores processadores, que dominam aproximadamente 85% do mercado, de monopolizarem e manipularem preços. Entre eles, destacam-se a JBS Global, de origem brasileira, e a National Beef, controlada pela MBRF.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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