Medida Provisória determina a extinção da exploração das bets e provoca debates sobre saúde pública e autonomia.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva editou, na última sexta-feira (25), a Medida Provisória 1.394, que proíbe em todo o território nacional a exploração, oferta, intermediação e publicidade das loterias de apostas de quota fixa, conhecidas como bets. Essa decisão marca o fim de um dos maiores mercados de apostas online do mundo, apenas três anos após sua regulamentação.
As reações não tardaram a surgir. Alguns celebraram a medida como um fechamento a uma epidemia silenciosa, enquanto outros protestaram, alegando que se trata de confisco, paternalismo ou uma manobra eleitoral. A Constituição de 1988 reconhece a saúde como um direito social e um dever do Estado, fundamentada na dignidade da pessoa humana e no direito à vida.
Argumentos contrários à nova regulamentação se baseiam na autonomia do indivíduo ao decidir sobre suas apostas. Contudo, essa perspectiva é contestada pelo fato de que o transtorno do jogo é reconhecido como uma doença mental pela Organização Mundial da Saúde (OMS), aumentando exponencialmente os riscos de suicídio entre os afetados.
✨ Dados do governo indicam que 28 milhões de brasileiros apostaram no último ano, com 10,9 milhões apresentando padrões de jogo de risco. Os atendimentos no SUS relacionados a essa problemática cresceram cerca de 140% entre 2018 e 2025.
Defensores da MP ressaltam que o Estado tem o dever de proteger não apenas os jogadores, mas também suas famílias e a sociedade como um todo, uma vez que os danos das apostas afetam diretamente a saúde pública e a economia.
A nova regra foi justificada pela necessidade urgente de proteger a saúde dos cidadãos, argumentando que a cada mês em que as apostas permaneciam ativas, milhares de novos atendimentos e dívidas poderiam surgir. Além disso, é visto como um dever constitucional garantir a dignidade da pessoa humana em todas as atividades econômicas.
Por sua vez, negócios que tinham investido na realização das apostas questionam a relevância e a urgência da medida, mas esses apontamentos não se sustentam frente aos dados que evidenciam a gravidade do transtorno relacionado ao jogo.
Ao proibir as apostas de quota fixa, o governo brasileiro busca estabelecer limites ao lucro oriundo de atividades que promovem a dependência, priorizando a saúde e o bem-estar da população.
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Jornalista especializado em Brasil

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