Estudo aponta presença alarmante de substâncias nocivas na água

Um estudo recente sobre a poluição do Rio Tietê, um dos principais símbolos de São Paulo, revelou preocupações alarmantes entre especialistas. A pesquisa, realizada pela ONG SOS Mata Atlântica em colaboração com quatro universidades, encontrou 25 tipos de agrotóxicos nas águas do rio e seus afluentes, além de substâncias como cocaína e microplásticos.
A análise durou cinco dias, onde as amostras foram coletadas em 14 pontos, começando na nascente em Salesópolis até a foz em Itapura, onde o Tietê desagua no rio Paraná. Os dados coletados indicam que os esforços de despoluição, como o programa Integra Tietê promovido pelo governo estadual, ainda não são suficientes para combater as diversas fontes de poluição.
✨ Os 25 agrotóxicos encontrados frequentemente superaram os limites legais, sendo a atrazina uma preocupação significativa, com concentrações até 25 vezes acima do permitido.
Cesar Pegoraro, biólogo da SOS Mata Atlântica, municípios e a agricultura intensiva estão entre as principais fontes para a presença dos agrotóxicos. Enquanto a origem rural está ligada ao agronegócio, áreas urbanizadas também contribuíram, possivelmente a partir de produtos domésticos, como inseticidas.
Um aspecto alarmante foi a elevada presença de herbicidas, como o glifosato, utilizado em cidades para controle de vegetação. Pegoraro notou que a falta de barreiras naturais, como matas ciliares, contribui significativamente para a contaminação do Tietê.
A pesquisa também mostrou a fragilidade do índice de qualidade da água (IQA), que não considera agrotóxicos, fármacos e outras substâncias. Pegoraro alertou que essa classificação, muitas vezes positiva, pode criar um falso senso de segurança sobre a qualidade da água utilizada para consumo e irrigação.
✨ As análises indicaram que o trecho entre Pirapora do Bom Jesus e Barra Bonita teve a maior contaminação, mudando de qualidade 'ótima' para 'regular'.
Pegoraro enfatiza que tratar a água contaminada não é a única solução; ações preventivas são essenciais. A recuperação da mata ciliar e a utilização responsável de agrotóxicos são fundamentais para evitar poluição desde o início.
A SOS Mata Atlântica também defende que todos os produtos químicos encontrados no estudo não devem terminar em um bem comum, como a água potável.
A Secretaria de Meio Ambiente e Infraestrutura (Semil) respondeu, destacando o Programa Integra Tietê como uma iniciativa que, segundo a pasta, tem conseguido reduzir a poluição do rio, com uma queda de 21% na carga de poluição nos últimos dois anos.
A Semil também enfatizou investimentos na reabilitação dos rios e melhorias no tratamento de esgoto, com a intenção de beneficiar a população e a qualidade da água do Tietê.
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Jornalista especializado em Meio Ambiente

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