53% das vítimas em quatro capitais tinham substâncias no sangue

Um levantamento recente realizado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) revelou que 53% das vítimas de mortes violentas nas capitais brasileiras apresentavam álcool ou drogas psicoativas no sangue.
O estudo, publicado na revista Toxics, analisou amostras de sangue de 3.577 pessoas em Belém, Recife, Vitória e Curitiba, abrangendo as regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Sul do Brasil.
Os dados, coletados de mortes ocorridas entre março de 2022 e junho de 2024, mostraram que a maioria das vítimas eram homens (cerca de 90%) e que 56% tinham 30 anos ou mais.
✨ 67,3% das mortes foram causadas por homicídios, seguidas por 14,7% de acidentes de trânsito e 9,2% de suicídios.
Henrique Silva Bombana, biomédico toxicologista da FCF-USP e autor principal da pesquisa, destacou que a cocaína foi encontrada em 36% das vítimas de homicídio. Quase 85% dessas mortes ocorreram devido a ferimentos por arma de fogo.
No reino dos acidentes de trânsito, o álcool se destacou, sendo detectado em 38% dos falecidos. Por outro lado, nos suicídios, os medicamentos psicoativos, particularmente benzodiazepínicos, foram identificados em mais de 20% das vítimas, ressaltando a preocupação com a automedicação e a saúde mental.
O estudo foi realizado em cooperação com a Senad do Ministério da Justiça.
A pesquisa também ressaltou disparidades regionais significativas. Belém e Vitória apresentaram uma maior concentração de mortes relacionadas ao uso exclusivo de drogas ilícitas, enquanto em Recife o álcool predominou. Curitiba seguiu essa tendência, destacando o impacto do narcotráfico e as diferenças culturais entre as cidades.
Os autores do estudo alertaram que, embora a pesquisa forneça dados valiosos, seus resultados indicam "sinais consistentes de risco" sem estabelecer uma relação de causalidade direta. O uso de substâncias psicoativas pode levar a cenários de risco, como a participação em um mercado ilegal perigoso ou atos inconsequentes, como dirigir sob efeito de drogas.
Diante disso, os pesquisadores sugerem que o governo implemente intervenções adequadas, defendendo que políticas de saúde pública e redução de danos podem ser mais eficazes do que abordagens punitivas.
Receba as principais notícias e análises diretamente no seu email. Grátis e sem spam.
Gostou desta notícia? Compartilhe!

Pesquisa revela riscos associados ao consumo excessivo de álcool.

Pesquisa indica que consumo moderado de álcool pode aumentar mortalidade.

Análise de 3,5 mil casos aponta prevalência de cocaína e álcool

Excesso de bebidas e alimentos influencia o funcionamento do fígado.