Especialista destaca a importância da vacinação na proteção do coração e prevenção de complicações.

A Dra. Ana Paula Garcia, cardiologista, destaca que a vacinação passou a ocupar um papel fundamental nas estratégias de prevenção cardiovascular. Embora a maioria associe a prevenção de infartos a fatores como controle de colesterol, pressão arterial e hábitos saudáveis, a ligação entre vacinação e proteção cardíaca tem ganhado atenção na medicina.
Em 2025, a Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC) lançou um documento sugerindo que a vacinação seja considerada o quarto pilar da prevenção cardiovascular, ao lado do controle dos fatores de risco, mudanças de estilo de vida e tratamento medicamentoso. Isso se deve ao fato de que certas infecções não afetam apenas o sistema respiratório, mas podem aumentar o risco de complicações cardiovasculares, principalmente em quem já tem doenças cardíacas.
✨ Infecções como a gripe e COVID-19 podem elevar significativamente o risco de infarto e AVC, ampliando a importância da vacinação.
Dra. Ana Paula explica que, durante infecções, o corpo gera uma resposta inflamatória que pode alterar a coagulação, aumentar a frequência cardíaca e exigir mais do coração. Exemplos incluem a influenza, que demonstrou aumentar o risco de infarto nos dias após a infecção, e a COVID-19, que também se mostrou capaz de gerar complicações cardíacas.
Entre as vacinas recomendadas, a da influenza se destaca por ter evidências de diminuição de complicações cardiovasculares, especialmente em pacientes com doença coronariana. O estudo IAMI, por exemplo, mostrou que vacinados após um infarto apresentaram menores taxas de morte e novos infartos em comparação aos que receberam placebo.
Outras vacinas, como as pneumocócicas e contra o vírus sincicial respiratório (VSR), também são relevantes, embora os dados de redução de infartos sejam mais robustos para a influenza. A avaliação do estado vacinal deve ser incluída nas consultas cardiológicas, juntamente com outros fatores de risco como obesidade, doenças renais e qualidade do sono.
A proposta é adicionar vacinas às práticas já estabelecidas de controle da hipertensão e do colesterol, criando uma proteção mais abrangente. Reconhecer a conexão entre infecções e saúde cardiovascular pode melhorar a prevenção de eventos como infartos e AVCs, enfatizando que o coração não atua isoladamente do restante do corpo.
Concluindo, Dra. Ana Paula defende que perguntar sobre vacinação deve ser tão rotineiro nas consultas cardiológicas quanto discutir medicamentos e hábitos saudáveis.
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