Recuperação de áreas com plantio sustentável destaca municípios em expansão

De acordo com um monitoramento realizado pela Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), a recuperação de áreas degradadas por meio do plantio de cacau tem avançado significativamente no Pará. Desde a década de 90 até o final de 2025, foram restaurados 165 mil hectares, o que equivale a 231 mil campos de futebol.
Entre as localidades que estão se destacando nesse movimento, Tomé-Açu, que desenvolveu o Sistema Agroflorestal de Tomé-Açu (Safta), e municípios situados ao longo da Rodovia Transamazônica, como Altamira e Medicilândia, são exemplos notáveis de transformação agrícola.
Uma pesquisa da Universidade Federal do Pará, realizada em Altamira, revelou que novas plantações de cacau estão sendo estabelecidas principalmente em áreas previamente alteradas, diferentemente do que ocorria anteriormente, onde as lavouras eram cultivadas em áreas de floresta. O professor Miquéias Calvi, responsável pela pesquisa, destaca que esse novo padrão é ambientalmente positivo, uma vez que 81% das novas plantações estão em terrenos degradados.
✨ A reabilitação de áreas degradadas não apenas melhora a renda dos agricultores, mas também promove a sustentabilidade ambiental.
Calvi enfatiza que essa tendência gera uma recuperação do potencial produtivo dessas áreas, que, quando negligenciadas, não ofereciam retorno financeiro. Com o trabalho nas lavouras de cacau, o ciclo de produção sadio promove ganhos tanto econômicos quanto ambientais.
É fundamental que as políticas de apoio ao setor agropecuário continuem, garantindo a distribuição de mudas e sementes florestais. Caso contrário, o risco é que essas áreas deplantio iniciem um ciclo de monocultivo insustentável.
"Órgãos como a Sedap e o Ideflor-Bio têm papel crucial no fomento à produção agroflorestal, necessário para a manutenção das novas lavouras sustentáveis.
Ivaldo Santana, coordenador do Programa de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva do Cacau, reforça a importância da legislação que orienta o plantio do cacau em Sistemas Agroflorestais e em áreas já alteradas. Desde 1996, essa diretriz levou à recuperação de 165 mil hectares no estado.
O Fundo de Apoio à Cacauicultura do Pará, criado em 2008 pela Lei estadual nº 7.093, reforça a necessidade de plantar cacau em áreas degradadas.
Com a injeção de recursos públicos, programas estaduais estão intensificando a distribuição de sementes, e o Pará continua expandindo sua área de cultivo em aproximadamente 9 mil hectares por ano, atraindo cerca de mil novos produtores anualmente.
Além disso, o Ideflor-Bio fornece mudas de essências florestais para sombreamento das plantações de cacau, fundamental para a implementação dos Sistemas Agroflorestais.
Iniciativas como o Programa Territórios Sustentáveis visam fortalecer práticas de produção sustentável em áreas vulneráveis ao desmatamento, refletindo o compromisso das autoridades em promover agricultura responsável.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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